No senso comum, a palavra virtual é em geral empregada como um plausível antônimo para realidade. No entanto, em sua obra Cibercultura, Pierre Lévy (1999) atribui outros dois conceitos de virtualidade: o filosófico e o técnico.
Tais significados constam no verbete correspondente no dicionário: para o técnico, virtual é aquilo que é feito ou simulado através de meios eletrônicos; filosoficamente falando, virtual é algo que é suscetível de exercer-se embora não esteja em exercício, que não tem efeito atual, mas é potencialmente possível.
Sendo assim, considerar a virtualidade como sinônimo de irrealidade é, no mínimo um equivoco. Antes mesmo de conceituar o virtual, Lévy abre o capítulo sobre virtualização descrevendo uma instalação de Jeffrey Shaw intitulada O Bezerro de Ouro, de 1994. A peça consistia de um pedestal vazio e o spectator só poderia contemplar a escultura através de uma tela plana eletrônica, em rudimentos do que é atualmente conhecido como realidade aumentada.
Considerando ainda que as tecnologias de informação e comunicação amplamente utilizadas pela sociedade contemporânea constituem extensões virtuais dos mais diversos atributos humanos – a voz, a visão, a audição, a presença – pode-se afirmar, portanto, que a virtualidade é real.
Referências
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
VIRTUAL. In: DICIONÁRIO da língua portuguesa. Lisboa: Priberam Informática, 2011. Acesso em: 25 abr. 2011.
VIRTUAL. In: MODERNO Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2009. Acesso em: 25 abr. 2011.
Resenha apresentada para a disciplina de Introdução à Teoria da Comunicação ministrada pela Profª Ms. Daniela Bertocchi no curso de pós-graduação lato sensu em Gestão Integrada da Comunicação Digital para Ambientes Corporativos (Digicorp) da Escola de Comunicação e Artes – Universidade de São Paulo.
Levemente inspirada pela pergunta feita pelo amigo Leo Triandópolis em meu Formspring.
