Erudição para a Massa 06mar09
Ontem fui prestigiar a apresentação da Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande, a primeira de 2009, em comemoração ao Dia Nacional da Música Clássica, prestando homenagem ao nosso Villa-Lobos.
A Orquestra existe oficialmente desde 2007, quando se apresentaram pela primeira vez no Teatro Prosa. Mas grande parte dos músicos já participou de projetos semelhantes anteriormente como a Orquestra Clássica de Mato Grosso do Sul – que atuou por 20 anos – a Orquestra de Câmara Villa-Lobos e a Orquestra Barroca.
A diferença é que estes projetos precedentes eram independentemente formados pelos músicos que se reuniam pela arte, já a Sinfônica Municipal tem o apoio da Prefeitura de Campo Grande. A maior parte dos músicos é funcionário concursado do município, os demais são contratados - o que demonstra a preocupação especial da atual administração da cidade com a cultura. Bravo.
E não é em vão. O salão do Museu das Culturas Dom Bosco esteve abarrotado no concerto de ontem de todo tipo de gente a despeito da temperatura ambiente. Muita gente ainda assistiu pelo lado de fora, através das janelas.
Tocaram peças bastante conhecidas de Vivaldi, Tchaikovsky, Bizet – aclamada pelo público, previamente alertado pelo Maestro Chico Anysio Eduardo Martinelli que reconheceriam Toreador dos episódios de Pica-pau – e obviamente, Heitor Villa-Lobos. Contaram com a participação pianista Evandro Higa – que há muito tempo atrás me regeu no Coral Arte Viva – e da soprano Clarice Maciel em seu vestido de origami, que terminou seu solo em Bachianas nº5 com um pianissimo para evitar que todos os vidros do Museu trincassem.
Participaram também o Coral da UFMS, Coral Infanto-juvenil do Projeto Córrego Bandeira e a Orquestra Jovem da Fundação Barbosa Rodrigues, ecoando o legado de educação musical de Villa-Lobos, que foi responsável pela introdução da disciplina Canto Orfeônico nas escolas de todo o país nos anos 1930.
Se vamos continuar vivendo de pão e circo, que ao menos seja um circo de alto nível.
Ps.1: Caros Salesianos, favor instalar sistema de climatização ou, ao menos, ventilação no salão do Museu das Culturas Dom Bosco. Já foram queimados filhos-de-Deus suficientes nas fogueiras no passado, não precisamos assar pobres-diabos que tentam apreciar música erudita, certo? É de bom grado também disponibilizar copos descartáveis próximos aos bebedouros. Grato.
Ps.2: O Destino, farrista, puniu-me por não ter ligado de imediato o som do carro a caminho de casa. A primeira música coisa que ouvi, em contraste ao concerto, foi um funk carioca tocado aos berros por um porta-malas (por mala compreenda-se o dono do veículo) aberto na Afonso Pena. Mea culpa, mea máxima culpa.
Ps.3: Recomendo assistir à palestra de Ken Robinson no TED Talks sobre educação, especialmente a estória sobre sua amiga Gillian Lynne. Vi no Blog do Tas.


6 de março de 2009 às 15:40
Primeiro, seus PS estão ficando maior que os “S”… cuidado! hauahauahuah…
Segundo, a Orquestra de Mato Grosso do Sul também era formada por músicos concursados, mas parece que o Estado tesorou a onda, já que ambas orquestras (Mato Grosso do Sul e Municipal de Campo Grande) eram praticamente a mesma coisa e só precisavam de um ensaio…
Terceiro, excelente foto!
E quarto, concordo plenamente: na próxima, além do circo de alto nível, se não for pra oferecer pão, que pelo menos tenhamos água!
Excelente post.
6 de março de 2009 às 23:26
Muito bom o post, Kuca! O pianissimo da Clarice pode ser traduzido como: “Eu sou a Deusa do Origami, reles mortais!”
^^v!