Diálogo Contemporâneo 03mai09

Por Kuca MoraesEvento

No final do mês passado a Fundação Municipal de Cultura abriu o projeto Diálogos Contemporâneos – que trará mensalmente pensadores brasileiros de diversas áreas para falar aos campograndenses na Câmara Municipal – com uma palestra do atual Ministro da Cultura Juca Ferreira.

O Ministro, entre outros diversos assustos, comentou sobre a necessidade de disponibilizar arte, cinema, música e espetáculos gratuitamente à população como forma de democratizar o acesso à cultura – uma vez que, de acordo com pesquisa citada por ele, apenas 10% de nossos compatriotas têm uma vivência cultural plena.

Infelizmente a agenda ministerial exigiu a evasão imediata dele rumo ao aeroporto logo após à palestra. Portanto não houve muito tempo para perguntas, apenas seis delas foram lidas e respondidas. Como a minha não foi uma das privilegiadas, vou compartilhá-la aqui:

Senhor Ministro,

Vossa Excelência falou sobre a importância da democratização ao acesso à cultura no Brasil. Sabendo que a internet é o meio mais eficiente de difusão cultural, qual sua posição em relação ao compartilhamento de conteúdo online? Recentemente a ACPM solicitou bloqueio a comunidades de compartilhamento de músicas e a sites de legendas feitas por fâs. Tais medidas não estão na contramão das intenções do Governo neste sentido?

Pessoalmente – como fotógrafo, redator, cantor, blogger, podcaster e, ignorando todas as limitações, designer – eu quero mais é que o público tenha acesso ao meu trabalho. Não importa se ele vai pagar por ele, pegar emprestado com um amigo, baixar ou assistir via streaming na internet.

Costumo acreditar que esta é uma opinião constante entre produtores de conteúdo. Não creio estar equivocado, já que esta egrégora do compartilhamento é a principal responsável pelo surgimento das licensas de uso alternativas Creative Commons. Porque não tornar esse tipo de licensa oficialmente o padrão? Porque não incluir mais obras no domínio público?

A humanidade não precisa mais da escassez, não precisamos mais ter todos os direitos reservados. É preciso repensar a forma como a cultura é distribuida atualmente. Deixo aqui, portanto, minha pequena contribuição.

Afinal, sharing is caring.

4 Comentários →

  1. O mundo da cultura, sem dúvida, deve se adaptar à invasão da internet. Chega um momento em que as regras (as leis) devem ser adaptadas para que obtenham eficácia social. Não adianta nada existir uma lei de direitos autorais, se TODO MUNDO baixa gratuitamente milhões de músicas pela internet (para citar um dos exemplos de arte, que é o que, ao meu ver, atinge maiores escalas de difusão pela rede mundial de computadores).
    Os artistas precisam reconhecer esse fato, como muitos já vêm fazendo (no Brasil, o “Teatro Mágico” é o exemplo mais óbvio desse movimento). Ao reconhecer isso, eles passam a utilizar a internet como vantagem, deixando de lado as “desvantagens” advindas da burla a direitos autorais.
    A internet pode ser um meio para essa ilicitude, mas é também um meio eficientíssimo de marketing. Os artistas que se dão conta disso, podem otimizar a aplicação da internet para esta última finalidade, compensando as perdas provenientes das “desvantagens” da internet.

  2. Concordo plenamente com o seu post e com o comentário do Joca!

  3. [...] que quando soube do convidado deste mês do Diálogos Contemporâneos, o Professor Renato Janine Ribeiro, não me interessei muito. Não sei quem ele é e não li o [...]

  4. [...] mês, o jornalista Zuenir Ventura foi o convidado do Diálogos Contemporâneos a falar na Câmara Municipal de Campo Grande. Desta vez a exposição do tema foi mais curta e o [...]

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